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Conceito de Espingarda
São armas de fogo portáteis, de cano longo e sem raiamento (alma
lisa), com ampla gama de utilização na caça, tiro ao vôo, defesa,
combate, etc. Na matéria, o autor enfatiza suas aplicações esportivas e
de caça, mas, as informações nela contidas também serão de grande valia
para os usuários de outras áreas.
Calibre
Os calibres (diâmetro interno do cano) das armas à bala são
usualmente denominados em milímetros ou polegadas. Exemplo: o calibre
.45 ACP, na denominação americana, significa que o diâmetro do cano (e
do projétil) é de 45 centésimos de polegada, o que corresponde a 11,43
mm. Entretanto, os calibres das espingardas de chumbo foram
estabelecidos há muitos anos e não foram baseados em qualquer sistema
convencional de medida. Tomou-se, como base, o número de esferas de
chumbo que perfazem uma libra.
Converteu-se uma libra (453,6 g) de chumbo puro em 12 esferas de
iguais peso e diâmetro. Se uma dessas esferas se encaixava perfeitamente
num determinado cano, o calibre deste era "12". Estas esferas tinha
0,730 polegada de diâmetro, ou seja, 18,5 mm. De igual peso de chumbo (1
libra), foram feitas 16 esferas e chegou-se ao calibre 16, assim
procedendo-se com os demais calibres, com excessão do 36, pois, segundo
esse critério, seria o calibre 67. O calibre 36 corresponde, na
realidade, a 0,410 polegada, ou seja, 10,414 mm.
A medida do diâmetro da alma do cano pode variar em 0,40 mm,
dependendo da broca usada na perfuração, se nova ou usada, conforme
ficou estabelecido na Convenção de Stutgart, em 1913:
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Calibre
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Diâmetro em mm
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10
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19,3 - 19,7
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12
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18,2 - 18,6
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16
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16,8 - 17,2
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20
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15,6 - 16,0
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24
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14,7 - 15,1
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28
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14,0 - 14,4
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32
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12,75 - 13,15
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36 (410)
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10,414
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"Choke"
De início, as primeiras espingardas eram de cano cilíndrico, ou seja,
com o mesmo diâmetro interno. Com o passar dos anos, foi introduzido o "choke",
que é um ligeiro estreitamento do diâmetro interno do cano, junto ou
próximo à boca da arma. No nosso caso, a palavra "choke" será traduzida
como "estrangulamento".

Damos, a seguir, tabelas que mostram os estrangulamentos, com as
medidas em milímetros, os grupamentos dos chumbos e as denominações
normalmente usadas. Queremos assinalar que o "choke" pleno -
estrangulamento total ou "full choke" - pode variar (no caso do calibre
12, por exemplo) de 0,9 a 1,1 mm, ocorrendo o mesmo para os demais "chokes"
e calibres, nesta proporção.
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"Choke"
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12
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16
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20
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24
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28
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32
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36
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Pleno
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1,00 mm
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0,85 mm
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0,75 mm
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0,75 mm
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0,65 mm
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0,55 mm
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0,45 mm
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3/4
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0,75 mm
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0,65 mm
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0,55 mm
|
0,55 mm
|
0,45 mm
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0,45 mm
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0,30 mm
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1/2
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0,50 mm
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0,45 mm
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0,35 mm
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0,35 mm
|
0,30 mm
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0,20 mm
|
0,20 mm
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14
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0,25 mm
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0,25 mm
|
0,20 mm
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0,15 mm
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0,15 mm
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0,10 mm
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0,10 mm
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Cilindro
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-
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-
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-
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-
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-
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-
|
-
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"Skeet"
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0,20 mm
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0,17 mm
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0,15 mm
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0,12 mm
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0,10 mm
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0,10 mm
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-
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O estrangulamento, em décimos de milímetro, diminui de acordo com o
diâmetro do cano = calibre. Se uma espingarda calibre 12, cujo cano tem
um diâmetro interno de 18,5 mm, tem um estrangulamento de 1 mm no "choke"
pleno (reduzindo o diâmetro para 17,5 mm na boca), numa espingarda
calibre 36, cujo diâmetro interno do cano é de 10,4 mm, o estreitamento
para se conseguir o "choke" pleno será, conseqüentemente, menor, de
aproximadamente 0,5 mm.
Grupamento
Os "chokes" dos canos controlam o grupamento da chumbada, que é
usualmente determinado pela procentagem de bagos de chumbo que atingem
um alvo (placa) de 75 cm de diâmetro a uma distância convencional de 35
metros (27 metros, para os calibres 28, 32 e 36). Esta porcentagem pode
variar muito pouco com uma mesma arma, dependendo, em linhas gerais, do
tamanho do cartucho, da carga de pólvora e do tamanho e número de bagos
de chimbo usados no carregamento do cartucho. Mais importante que a
porcentagem de chumbos que atingem o alvo é a distribuição uniforme dos
mesmos dentro da área de impacto (alvo).
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Estrangulamentos
("chokes")
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Grupamento
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Total ("choke"
pleno)
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70 - 75 %
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3/4
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60 - 65 %
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1/2 (meio "choke")
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50 - 60 %
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1/4
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40 - 45 %
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Cilíndrico
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35 - 40 %
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"Skeet"
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60 % (a 20 m)
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Os
resultados com uma arma de qualidade e cartuchos de boa procedência são,
normalmente, os assinalados na tabela e devem apresentar uma
distribuição (dispersão) uniforme.
Num cano cilíndrico, a dispersão do chumbo inicia-se ao sair do
mesmo. No "choke" pleno, a carga de chumbo sai comprimida e a dispersão
será menor, e, como lançam a carga a uma distância um pouco maior do que
as outras formas de estrangulamento do cano, para o mesmo calibre,
conclui-se que o grau do "choke" determina o alcance máximo da arma. O
grupamento do cano de "choke" pleno, a 35 metros, também pode ser
conseguido com o cano de meio "choke", a 30 metros, e pelo de 1/4 de "choke",
a 25 metros.
Como
se pode observar nos desenhos ao lado (Fig. A), os bagos de chumbo (ou
aço) se deslocam no ar de modo semelhante a um enxame de abelhas, de
forma ovalada. O cone de dispersão (Fig. B) irá aumentando no espaço, ao
se afastar da arma. Esta dispersão, maior ou menor, será determinada
pelo "choke" da espingarda.
Um cartucho Velox (nacional) calibre 20 carregado com 22,5 g de
chumbo no. 7 (diâmetro de 2,5 mm) comporta aproximadamente 248 bagos.
Portanto, se disparado de um cano de "choke" pleno, de acordo com as
normas adotadas, teria que contar de 171 a 186 impactos dentro do
círculo de 75 cm de diâmetro. Se o cano usado for de 1/2 "choke", serão
aproximadamente 136 impactos (55%). O mesmo deve ocorrer, se usados
outros tamanhos de chumbo.
Os chumbos utilizados para carregar cartuchos variam, normalmente, de
1,25 a 5,50 mm de diâmetro, sendo usados, ainda, balotes: um único
projétil de chumbo de diâmetro equivalente ao calibre da espingarda.

Como escolher os "chokes"
O "choke" deverá ser escolhido de acordo com a distância a que se
pretende fazer o tiro de caça. Se o tiro é, normalmente, feito à
distância de 35 metros ou mais, o ideal é o "choke" pleno ("full"). Para
distâncias inferiores a 35 metros, "full" ou 3/4 é o recomendado. Em
torno de 30 metros, 1/2 "choke", e 1/4, para distâncias em torno de 20
metros. Estudos têm demonstrado que a maioria das peças são abatidas a
distâncias inferiores a 35 metros. As armas muito "chokeadas" não devem
ser usadas para caça ao vôo, à curta distância, a não ser por atiradores
hábeis e experimentados. Em mãos inexperientes, é tiro perdido.
Câmara
É o local, na culatra, onde se alojam os cartuchos. Existem dois
tamanhos de câmaras, 70 mm (2 3/4 pol) e 75 mm (3 pol), sendo que as de
65 mm não são mais encontradas em armas de fabricação recente. A maioria
das espingardas possui câmara 70, mas as adotadas para alvos distantes
(por exemplo, ganso voando a grande altura) têm a câmara mais extensa,
capaz de alojar os cartuchos Magnum mais potentes. Os cartuchos não
ocupam todo o espaço interno das câmaras. O espaço excedente permite a
expansão do estojo, por ocasião do disparo.
Comprimento do cano
Com as modernas pólvoras, o tiro alcança o máximo de velocidade muito
rapidamente. Por isso, o comprimento do cano - respeitadas medidas não
inferiores a 500 mm ou de comprimentos exagerados - tem pouca influência
sobre sobre a velocidade do tiro, alcance, penetração, grupamento,
dispersão ou energia de uma carga de chumbo. Independentemente do
calibre, tudo se altera em função do "choke" ou da própria carga.
O comprimento do cano deve ser escolhido de acordo com a proficiência
pessoal do atirador e tipo de tiro a ser feito. Um cano longo tende a
aumentar o peso da arma, porém, aumenta a sua linha de visada. Um cano
curto torna a arma mais fácil de manuseio, podendo ser usada com maior
liberdade de ação para tiros seguidos e que exijam viradas constantes
("swing"). Um cano de 700 mm é de tamanho ideal para os diversos tipos
de caça e "skeet", enquanto que, para "trap" e tiro ao pombo, 760 mm é o
recomendado.
"A coronha que atira!"
Esta máxima, de princípios do Século 19, se tornou base fundamental
do tiro com espingardas, principalmente, no tiro ao vôo. As coronhas
devem ser de adaptação individual (pois "é ela que atira"), enquanto que
os canos e "chokes" apenas executam as ordens por ela emanadas. Uma
coronha apropriada substitui a alça de mira.
Existem
três medidas importantes (mostradas no desenho ao lado) para qualquer
coronha e que têm um efeito definitivo para o sucesso do tiro:
A) Comprimento: deve ser de acordo com a largura do peito e o
tamanho dos braços de cada um. Superficialmente, o comprimento pode ser
determinado com o braço dobrado em ângulo de 90 graus, colocando-se a
coronha junto ao antebraço, de modo que a soleira apoie-se no braço (na
junção deste com o antebraço) e a falanjeta do dedo indicador envolva o
gatilho.
Uma coronha comprida pode machucar a axila ou os músculos do peito,
não conduzindo a um tiro eficiente. Por outro lado, uma coronha curta
produz um "coice" mais forte e poderá causar danos à bochecha do
atirador.
B) Altura de crista: se a crista é muito baixa, o olho do
atirador também ficará baixo quando a arma for apontada e o tiro irá
atingir abaixo do alvo. Se a crista é muito alta, o oposto é verdadeiro.
Certamente, o atirador estará colocando a arma de encontro à sua
bochecha, sempre do mesmo modo e mesmo local, para todos os tiros.
C) Caimento na altura da soleira: do caimento da coronha
dependerá a inclinação do(s) cano(s). Um caimento correto contribui para
um correto alinhamento da visada e obedece à necessidade de não permitir
tiros altos ou baixos.
A altura de crista de 41 mm e o caimento na soleira de 63 mm são
médidas consideradas ideais por, pelo menos, 95% dos caçadores. Para o
tiro de "skeet", os básicos são 39,5 e 63,5 mm, respectivamente. Para
"trap", fossa olímpica e pombo, a coronha deve ser mais reta, com menos
caimento na crista e na soleira (36,5 e 41 mm, respectivamente). Como os
alvos devem ser atingidos enquanto subindo na trajetória, essas medidas
reduzem o risco de mirar baixo.
Algumas coronhas têm um desvio lateral ("cast off"), de 4 a 6 mm, que
permite apontar e visar mais rapidamente. Usa-se fazê-lo em coronhas de
espingardas para tiro de "skeet", armas de caça para tiro ao vôo e
"pombeiras".
Quaisquer alterações nas medidas da coronha somente devem ser
executadas após algum tempo de uso da arma. Para cada tipo de tiro,
deverá ser usado um determinado tipo de coronha.
Escolha certa para um tiro certo
Existem seis tipos básicos de espingardas: Tiro Simples (um
cano), de Ferrolho (um cano), Mecanismo de Corrediça (um
cano), Semiautomática (um cano), Canos Duplos Paralelos
(normalmente, dois canos) e Canos Duplos Sobrepostos (dois
canos). Para uma boa escolha, além dos tipos rapidamente mencionados,
deve-se observar o calibre, formato da coronha, comprimento do cano,
"choke", câmara, peso, equilíbrio, sistema de gatilho, extratores, preço
e, principalmente, o uso que se pretende fazer da arma.

Se o seu caso for adquirir uma só espingarda para diversas
modalidades de tiro, você deve atentar que isto só é possível com
restrições. Em princípio, para o tiro ao vôo, a espingarda "12" é a mais
indicada por seu alcance de tiro e pela quantidade de chumbo que
comporta, podendo ser usada, em alguns casos, para o tiro de caça ao vôo
e esportivo. Quando usada para caça de pelo de pequeno porte, pode-se
adaptar um redutor para calibre 20, por exemplo, apesar de não
apresentar o mesmo desempenho de uma arma deste calibre, com
desvantagens quanto ao tamanho e peso.
Para algumas caçadas nas montanhas, por exemplo, a espingarda "20",
compacta, leve e manejável com rapidez, é ideal para tiro a curta
distância sobre alvos em rápido deslocamento, como as codornas. Para
caça pequena, de pio, a curta distância, o ideal é o calibre 36.
É bom lembrar que, quanto maior o diâmetro interno do cano, mais
pólvora e chumbo poderão ser usados. Assim, uma arma calibre 12 pode
disparar mais chumbo a maiores distâncias do que outra de menor calibre.
Uma espingarda "36" comporta uma quantidade de chumbo 25% menor do que
uma de calibre 20 e seu alcance útil é de pouco mais de 27 metros.
O tipo de espingarda mais usado atualmente é a de dois canos
sobrepostos, monogatilho, extratores automáticos e seletor de cano,
podendo, ainda, ter um par de canos extras.
Cartuchos
Infelizmente,
não temos condições de falar muito detalhadamente sobre a munição de
espingardas, mas, informamos que, para um mesmo calibre, existem
diversos tipos de cartuchos (carregamentos), que poderão influir
decisivamente no desempenho da arma. Além do tipo do cartucho,
propriamente dito (de plástico, metal, papelão, de fundo chato ou
redondo), do chumbo usado (uniforme em peso, diâmetro e forma - comum,
endurecido ou cromado), existem as espoletas, pólvoras, buchas e muitos
outros fatores que alteram o tiro.
Sobre as buchas, vamos mencionar apenas três detalhes que podem
modificar o tiro: a bucha resistente, mas elástica e leve (de
feltro), abandona o chumbo logo ao sair do cano e não perturba sua
distribuição; a bucha dura, espessa e pesada, acompanha o chumbo
muito além do cano e com velocidade suficiente para perturbar sua
distribuição normal; e a bucha quebradiça, que esmaga-se no cano
e esfacela-se ao sair dele, misturando-se os seus fragmentos com o
chumbo, diminuindo-lhe o alcance, penetração e distribuição. As buchas
mais usadas, atualmente, são as de plástico.
Cargas de chumbo e de pólvora
Um livro sobre o assunto seria pouco, mas, vamos dar um só exemplo: o
excesso de chumbo, em relação à polvora, faz um tiro compacto e sem
eficiência; muita pólvora, em relação ao chumbo, produz dispersão
irregular e desordenada.
Lembretes Úteis
- Faça a pontaria com os dois olhos abertos.
- Leve a arma de encontro à face (bochecha) e, depois, coloque-a no
ombro, sempre do mesmo modo e no mesmo local.
- Faça a visada "pegando" toda a fita da espingarda.
- Não olhe por cima, para ver se você está mirando certo. Lembre-se
que os seus olhos estão funcionando como alça de mira. Quando você
pressiona a arma contra a bochecha, ela deve permanecer ali.
- No tiro ao vôo, mantenha sempre o curso de movimento durante e
após o tiro ("follow through").
- Evite atirar tenso - relaxe-se.
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